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Síndrome do pânico e o medo de ficar longe de casa

Numa constelação a cliente colocou como questão o pânico que vem sentindo há muitos anos. Ela tem medo de sair de casa, então sai apenas acompanhada da mãe, do marido ou da irmã. Seu maior medo é ficar muito longe de casa, então procura fazer tudo perto de sua moradia. E admite que muitas vezes fica com medo de sentir o pânico - medo do medo, um trauma muito comum. Toma medicamentos desde os treze anos (aparenta ter menos de trinta). Ela está acompanhada, no evento, pela mãe.

Foi colocada na constelação uma representante para a Mulher e outra para o Medo. Ambas ficam frente a frente, mas a Mulher permanece o tempo todo com os olhos fechados. O Medo se aproxima dela e fica bem perto, e se desloca ficando atrás da Mulher, colocando as mãos nos ombros desta. Eu entro na constelação e logo vou brincar de assustar a Mulher, como uma criança. A Mulher ri (mas permanece de olhos fechados), e dá alguns passos sem direção. Ela pega nas mãos do Medo, por sobre os ombros. Aos poucos começa a querer me chutar, como se quisesse me afastar. O riso vai se tornando mais nervoso, quase um choro, acompanhado de tentativas de chutes. E eu sigo rindo e achando graça, como uma criança brincando.

Logo entram mais pessoas na constelação, mas o movimento central permanece com a Mulher, o Medo e eu, que me sento e sorrio para ambas. À Mulher é pedido que abra seus olhos e olhe para o Medo, que nesta altura está à sua frente. São pedidas algumas falas de reconhecimento da Mulher com relação ao Medo. O Medo olha para mim, e estende a mão fazendo carinho na minha cabeça. Me aproximo mais das pernas do Medo, ficando bem grudada nela. Represento uma criança morta.

Neste momento a mãe da cliente, que está presente, conta que a família do pai fugiu da guerra no Japão, vindo para o Brasil, e que a avó da cliente (mãe do pai) sofreu muito aqui no Brasil pela dificuldade da língua e costumes. O Medo representava esta avó, que durante a vida aqui no Brasil lutou para conseguir voltar, mas não conseguiu. O medo da cliente, o pânico estava vinculado ao medo dessa avó de nunca mais voltar “para casa”! As outras pessoas que entraram na constelação permaneciam distante deste núcleo, e representavam possivelmente os familiares dessa avó que permaneceram no Japão. Eu possivelmente representava uma criança que não sobreviveu à esta mudança.

Foram ditas falas de cura e reconhecimento, e sugerido à cliente que ela fosse ao Japão, “resgatar” esse retorno. Ela sorriu e se sentiu muito feliz ao final do trabalho.


Curso Livre de Formação em Constelações Sistêmicas: um caminho para a transformAÇÃO INTERIOR!

O conhecimento proporcionado pelo trabalho desenvolvido pelo alemão Bert Hellinger traz ao dia-a-dia uma nova visão sobre a vida e sobre como podemos ter um convívio mais harmonioso com as pessoas da família, do trabalho, nos relacionamentos em geral e com nós mesmos, na profissão, no bem-estar e na saúde. Aprendemos a nos respeitar e a saber os limites internos e externos. Esta é uma escola para toda uma vida!

Este é um curso para pessoas de qualquer idade e com qualquer formação, basta ter interesse em autoconhecimento e autodesenvolvimento. Profissionais das áreas de psicologia, terapias holísticas, advogados, médicos, recursos 
humanos e outras onde as relações pessoais são fundamentais terão um benefício além de pessoal, profissional, mesmo que não tenham interesse em trabalhar com a técnica.

Curso em 10 módulos de dois dias cada (um sábado e domingo a cada dois meses). Para os interessados em trabalhar com a técnica, 3 módulos adicionais específicos ao final.

Valor: R$ 670 cada módulo básico; para os módulos de especialização, R$ 800 cada. Pode ser parcelado.

PORTO ALEGRE: rosanezigunovas@yahoo.com.br

SÂO PAULO: curapessoal@gmail.com


Datas dos Módulos, São Paulo e Porto Alegre (quem não puder vir em um pode vir em outro para não perder):

Módulo 1
Porto Alegre: 21 e 22 de Maio/2016
São Paulo: 25 e 26 de Junho/2016

Módulo 2
Porto Alegre: 02 e 03 de Julho/2016
São Paulo: 20 e 21 de Agosto/2016

Módulo 3
Porto Alegre: 17 e 18 de Setembro/2016
São Paulo: 15 e 16 de Outubro/2016

Módulo 4
Porto Alegre: 19 e 20 de Novembro/2016
São Paulo: 2017

Ministrado pela Consteladora Sistêmica e Terapeuta Floral CRISTINA MARUJU, que já ministrou mais de 100 workshops em São Paulo e Porto Alegre. Formada pelo médico e pioneiro nos Treinamentos em Constelações no Brasil, Dr. Renato Shaan Bertate, desde 2010. Membro da Hellinger liebenSchule, participou de seminários de Bert e Sophia Hellinger no Brasil, além do alemão Jöel Weiser.

Publicitária pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP, São Paulo), com Pós Graduação em Marketing de Moda. Trabalha como terapeuta do Sistema Floral Joel Aleixo desde 1999, e é parte do corpo docente da Escola de Alquimia Joel Aleixo desde sua fundação, em 2005.

"Olhando para a Família" 79º Workshop de Constelações Sistêmicas com Cristina Maruju

Dia 25 de Julho de 2015, das 8h45 às 14h

Sempre a serviço da VIDA!

Tema: "Olhando para a família" 

ATENÇÃO: NÚMERO LIMITADO DE PARTICIPANTES, SERÁ RESPEITADA A ORDEM DE CHEGADA!

Este tema estará disponível às pessoas que pretendem olhar para as suas relações familiares: pais e filhos, casais, dinâmicas que se repetem na família. Heranças. Doenças genéticas. Desequilíbrio entre irmãos. Culpas. Cobranças exageradas. Famílias que exigem que alguém faça algo que não quer.

As Constelações acontecem de forma parcialmente oculta, ou seja, nada é dito ao público (a questão não é exposta) pois o que direciona é o tema do workshop em questão. Ou a questão é previamente combinada com a facilitadora ou o sistema expõe o essencial, o mais necessário para a pessoa. A escolha de cada representante também é semi-oculta: cada pessoa escolhida NÃO SABE quem ela representa, apenas o cliente e a facilitadora, evitando quaisquer julgamentos.

As Constelações serão intercaladas com algumas meditações ou exercícios relativas ao tema ou conforme a necessidade (questões levantadas por alguma constelação, por exemplo). Todas as pessoas são beneficiadas por todas as constelações porque com esta forma de constelar não se denomina a questão ou os representantes, ou seja, todos são constelados o tempo todo.

Para constelar, colocar uma questão, um problema ou apenas para
assistir e participar: curapessoal@gmail.com. Não há diferença de valores entre as pessoas que querem constelar ou apenas assistir: quem se candidatar será constelado! Com mais que um candidato haverá sorteio, com vários não há garantia de que todos constelarão (serão constelados aqueles que tem permissão de seus próprios sistemas...). O workshop será encerrado às 14h impreterivelmente!

Facilitadora: Cristina Maruju, Consteladora Sistêmica desde 2010; Taróloga há 35 anos; Terapeuta do Sistema de Florais Joel Aleixo há 16 anos.

HORÁRIO: das 8h45 às 14h

VALOR: curapessoal@gmail.com

Tel. (11) 5575-6961 (no dia do evento não há atendimento telefônico)

Não são aceitas inscrições antecipadas nem reserva de vaga, mas se desejar mais informações: curapessoal@gmail.com

LOCAL: Mens Sana - Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 820
Entre o antigo Detran e o metrô Ana Rosa
CEP 04014-002
Localize-se no Google: <http://goo.gl/maps/N8Q2l>

- Estacionamento no local, R$ 20 para o dia todo.

Esta é uma técnica que observa a existência de um complexo sistema familiar, onde cada membro está vinculado a outro através de conexões e padrões de comportamento, herdados através de gerações e que influenciam profundamente o dia-a-dia de cada um de nós.

Neste trabalho podemos identificar os enredamentos dentro do sistema, completando algo, trazendo à tona aquilo que faltou, aquilo que é necessário para que o todo se torne mais saudável.

Trabalham-se as três principais leis que regem os sistemas:
- Pertencimento (todos fazem parte);
- Ordem de chegada (hierarquias);
- Equilíbrio de trocas (eu dou / eu recebo).

Podemos trabalhar vários tipos de questões, como familiares, empresariais, saúde, relacionamentos entre casais e/ou pais e filhos.

O trabalho de Constelações Sistêmicas Familiares foi desenvolvido pelo alemão Bert Hellinger, que já tem publicado vários livros sobre o assunto.

Deseja ler mais a respeito?
fb.com/curapessoal/notes
www.curapessoal.com

Uma constelação sobre Dinheiro que virou... de Relacionamento!

Num workshop que dirigi cujo tema era "Dinheiro", olhamos para várias questões relacionadas a este assunto. E esta em especial, a penúltima num dia em que 9 pessoas foram consteladas, foi, digamos, "diferente".

Mulher, cerca de 30 anos, psicóloga. Quando ela se sentou ao meu lado, a primeira sensação que tive foi que tínhamos que olhar para o "Casamento". "Mas como?", pensei, se ela é solteira e atualmente sem namorado? Casamento dos pais, seria? Fiquei na dúvida, mas resolvi levar adiante desta forma. Então pedi que ela escolhesse 3 pessoas, representantes para Ela, o Dinheiro, e o Casamento. Ela olha o papel onde escrevo quais representantes entrarão na constelação (sempre faço as questões fechadas, ou seja, o público não tem ideia), vê a palavra "Casamento" e olha me questionando. Eu apenas respondo que sinto que "aquilo" tinha que entrar, então ela cochicha em meu ouvido dizendo que queria colocar então o Medo também, já que ela constelou algumas vezes (a falta) de relacionamento amoroso e ela sempre sente medo. Ela escolhe então as 4 pessoas que representarão Ela, Casamento, Dinheiro e Medo.

Assim que a constelação começa, uma imagem se forma imediatamente: Casamento abraça Ela (a cliente, que estava sentada ao meu lado, ri de alegria) e o Dinheiro, e os três ficam felizes juntos. O Medo fica olhando para o Dinheiro, afastado. Resolvo colocar então uma pessoa que representa algo ou uma Pessoa ligada a esse Medo, alguém que pode ter vivido esse sentimento, por exemplo. Escolho a Pessoa 1 e ela entra na constelação, ficando de frente para o Medo. 

Imediatamente o Dinheiro se solta do Casamento, que continua abraçado a Ela (representante da cliente); faz menção de seguir atrás mas peço que o Casamento e Ela se afastem e permaneçam, assim podemos ver qual a relação do Dinheiro e do Medo. O Medo então fica bem próximo ao Dinheiro. A pessoa que representava o Dinheiro diz que está sentindo uma dor num dos braços, e começa a fazer um movimento de balançá-lo, como se quisesse "soltar" a dor. O Medo começa a fazer o mesmo movimento e diz que sente a mesma coisa. Pessoa 1 fica realmente olhando para o Medo, que olha para o Dinheiro, que não olha para nenhum dos dois. Pessoa 1 começa a balançar um dos braços, como o Dinheiro e o Medo. Nesta imagem, faltava mais uma pessoa ainda, um segundo personagem ligado a Pessoa 1. Coloco então mais uma Pessoa (2) na constelação, e peço que ela se deite no chão. O Dinheiro olha para a Pessoa 2 que está no chão, e Pessoa 2 começa a passar mal. Fica claro que houve um crime e que a causa era financeira.

Peço para Pessoa 1 deitar-se ao lado da Pessoa 2. Peço que Pessoa 2 diga, olhando para Pessoa 2 "eu tive o impulso de matar você", e na sequência peço que o Medo diga, olhando para Pessoa 2 "Não, na verdade eu é que tinha esse impulso". Depois de algumas falas, fica claro que houve um crime envolvendo dinheiro e/ou bens e posses, e provavelmente era também uma relação amorosa, como um casamento ou algo do tipo.

Curiosamente isso fica provado no fato de que quando Pessoa 2 deitou-se, imediatamente o Casamento solta Ela (a representante da cliente), e apenas fica perto, não mais tão "agarrada" como estava desde o início, e quando pergunto o que aconteceu Casamento apenas diz que "o interesse por Ela diminuiu quase totalmente, mas que não era incômodo ficar ali ao lado d'Ela". Ou seja, quando o crime (assassino/vítima) se resolve, quando as partes assumem as suas responsabilidades, algo (Casamento + Dinheiro) deixou de ser necessário, a compensação futura do crime deixa de ser necessária.

Claro, a cliente tem chances de casar-se, mas agora sem risco de morte para compensar algo no passado familiar. 

É, muitas vezes o Medo protege!

E uma observação final: a última cliente a constelar foi a mulher escolhida para representar o Medo. Na hora que íamos colocar a constelação dela, senti que deveria ficar para última constelação, deveríamos pular. Quando terminamos a penúltima, resolvi colocar os mesmos "personagens", com uma exceção: colocamos Ela, Dinheiro, Casamento e Trabalho.

Esta última transcorreu normalmente, e quando acabamos, a cliente quis dar um depoimento, dizendo que as duas constelações, para ela, se completavam. Porque sendo representante do Medo na anterior, ela sentiu que tinha algo a ver com a sua família, mesmo não identificando o que exatamente.

Quando pessoas se unem num workshop de constelações sistêmicas, sempre cada história tem relação com a dos outros, todas as histórias familiares estão entrelaçadas, por isso mesmo quem não constela sai beneficiado!

Mioma: uma constelação de saúde

Num workshop de Constelações Sistêmicas cujo tema era "Saúde", mulher, 43 anos, dentista, quis olhar para dois sintomas que a mobilizam muito no dia-a-dia: a tensão nervosa e o mioma.

Colocamos, sem que ninguém soubesse qual era a questão, representantes (que também não sabiam quem representavam) para Ela, o Mioma e a Tensão. Mas senti que faltava algo, e que não era mais uma pessoa. Resolvi colocar então uma cadeira. Pedi que os 3 representantes ficassem em volta da cadeira, no meio da sala, e logo as posições mudaram: de início o Mioma quis sentar-se, mas ficou pouco, logo se levantou. Ficaram lado a lado o Mioma e a cliente (Ela). Ela ficou apoiada com as mãos no encosto da cadeira, convidando com o olhar a Tensão, que se afastou e ficou olhando tudo de frente. 

O Mioma senta-se em outra cadeira que estava para o público; senta-se e diz que estava bastante cansada e que queria descansar, tanto que pega outra cadeira e a coloca sob suas pernas. Esta segunda cadeira, sob suas pernas, fica ao lado da cadeira inicial, que ainda estava servindo de apoio para Ela, a representante da cliente. 

A Tensão apenas observa tudo, e peço à Ela que convide a Tensão a se sentar, dizendo "por favor, descanse". Depois de refletir algum tempo, a Tensão faz o movimento que indica que iria sentar-se. Então peço que o Mioma sente-se melhor, na cadeira que estava sob suas pernas, e que essa cadeira fique ao lado da primeira. Então a Tensão aceita sentar-se.

Ficou claro nessa imagem que a Tensão era na verdade o pai da cliente, enquanto que o Mioma era a mãe. Peço então que Ela fique de frente às duas pessoas, que estão sentadas lado a lado. A representante ajoelha-se a uma certa distância. Peço então que a representante saia e dê lugar à própria cliente.

A Cliente então se coloca de joelhos e fica emocionada diante do casal. E até este momento ela também pensa apenas que está frente à Tensão e ao Mioma, pois ela obviamente sabia quem estas pessoas representavam.

Peço que a Cliente diga algumas frases de reconhecimento e gratidão, e aí acrescento as palavras "Pai" e "Mãe", e ela acena com a cabeça dizendo que fazia muito sentido. E finalmente peço que ela diga "Pai, Mãe, agora carregarei vocês no meu coração, não mais no meu corpo como uma doença!"

Uma bela constelação que mostra o que uma doença pode representar - e nem imaginamos...

Conheça o DPAC – Distúrbio do Processamento Auditivo Central

Por Ana Raquel Périco Mangili

Copiado na íntegra do site : <http://www.adap.org.br/site/index.php/artigos/161-conheca-o-dpac-disturbio-do-processamento-auditivo-central>

"Além dos tipos mais conhecidos de perdas auditivas (a condutiva e a neurossensorial) e da Neuropatia Auditiva, existe um outro tipo de distúrbio relacionado com a audição humana, mas que, ao mesmo tempo, não é bem classificado como perda auditiva. Estamos falando do Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC), também chamado de Disfunção Auditiva Central ou Transtorno do Processamento Auditivo.
O DPAC é caracterizado por afetar as vias centrais da audição humana, ou seja, as áreas cerebrais relacionadas às habilidades auditivas e de interpretação das informações sonoras. Na maior parte dos casos, o sistema auditivo periférico (tímpano, cóclea, nervo auditivo) encontra-se totalmente preservado, daí o motivo do DPAC dificilmente levar a nomenclatura de Surdez Central. A principal consequência do distúrbio está no processamento das informações captadas pelas vias auditivas. Assim, a pessoa ouvirá claramente a fala humana, mas terá dificuldades em decodificar e interpretar a mensagem recebida. Veja, a seguir, a explicação sobre o DPAC em imagens.
 
Fonte da imagem: http://enfrentandooautismo.blogspot.com.br/
Em indivíduos sem alterações do Sistema Auditivo Central, a área relacionada ao processamento auditivo é composta das seguintes habilidades: atenção seletiva, discriminação, localização, reconhecimento do som, compreensão, integração (integrar o som aos outros órgãos dos sentidos) e memória auditiva. O DPAC pode atingir uma ou várias destas habilidades, em diferentes graus. As mais afetadas costumam ser as relacionadas com as funções de decodificação (entender o que se ouve), codificação (construir uma informação com base no que se ouviu), memória auditiva e prosódia (capacidade de entender o duplo sentido das palavras).
Gilda Viana, mãe do Cauã, de oito anos, comenta sobre as dificuldades auditivas de seu filho. “Ele foi encaminhado à fono pela escola devido à troca nos fonemas, somente na escrita, P com B, D com T, F com V, C com G. Fomos em uma fono em que não obtivemos grandes avanços, então tirei-o desta fono e coloquei ele no Kumon. Mas, no início deste ano, a escola pediu que o levasse novamente à fono, e por sorte encontrei uma excelente profissional, que pediu o exame DPAC, onde o resultado deu positivo, de grau moderado. O problema dele é mais na decodificação dos sons”, afirma.
Causas, diagnóstico e tratamento
As causas mais comuns do DPAC são por origem genética, lesões cerebrais por anóxia ou traumatismo craniano, presença de outros distúrbios neurológicos, atraso maturacional das vias auditivas do Sistema Nervoso Central ou por envelhecimento natural do cérebro. Por isso, a maior parte dos diagnósticos é feita em crianças e idosos. Os principais sintomas que podem ser percebidos em grande parte dos casos são: a presença de zumbidos ou alucinações auditivas, dificuldade para ouvir em ambientes ruidosos, dificuldade em acompanhar informações auditivas complexas e em localizar fontes sonoras, falta de interesse por música e extrema desatenção auditiva. Particularmente em crianças o DPAC se manifesta através de dificuldades de concentração, memorização, aprendizagem, leitura, escrita e também pela troca de fonemas, e pode vir acompanhado de outros distúrbios, como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Este é o caso de Victor Gabriel, de sete anos. Sua mãe, Sonia Freitas, conta que, junto com o DPAC, seu filho também recebeu o diagnóstico de TDAH. “Meu filho foi diagnosticado com DPAC e TDAH. Após avaliações com neuropediatra, testes psicológicos e exames fonoaudiológicos que acusaram a origem dos problemas, hoje ele necessita de medicação (Venvanse, 30mg), acompanhamento com psicopedagoga e terapia de cabine com a fonoaudióloga. Ele já foi alfabetizado e está no segundo ano escolar”, diz ela.
Nos mais jovens, é de extrema importância que o diagnóstico seja efetuado o quanto antes, para que as sequelas no aprendizado escolar sejam superadas mais facilmente. O cérebro humano tem, principalmente durante a infância, uma grande flexibilidade em seu desenvolvimento, o que é chamado de plasticidade neural. Com o tratamento fonoaudiológico e o apoio de uma equipe pedagógica adequada desde cedo, a criança possuirá muito mais chances de um ótimo desempenho escolar, pois seu cérebro estará sendo treinado a compensar, através da propriedade da plasticidade citada acima, as falhas neurológicas das vias auditivas centrais.
O diagnóstico do DPAC é composto de procedimentos um pouco mais elaborados do que as análises audiométricas comuns, pois é importante diferenciar a perda de audição localizada no órgão sensorial (ouvido) da alteração do processamento auditivo central. Para isso, é exigido, além das audiometrias padrão, testes para PAC (monóticos, dióticos e de interação binaural) e de avaliação do desenvolvimento linguístico e do comportamento auditivo. A idade mínima para tal diagnóstico é a partir dos quatro anos, e estes exames são realizados pelo próprio profissional fonoaudiólogo, com ou sem o uso de cabine acústica (o que depende da especificidade de cada caso), porém, ainda não são muito comuns e não costumam fazer parte da rotina dos hospitais públicos brasileiros. Apenas alguns convênios particulares cobrem tais procedimentos.
Os exames apontarão em quais habilidades auditivas a criança possui maior dificuldade, e isto vai servir de orientação para a escolha dos exercícios e das técnicas de treinamento auditivo que o fonoaudiólogo exercitará com a criança. Atividades, jogos e o uso da cabine acústica são alguns dos recursos utilizados na reabilitação. Um trabalho multidisciplinar que envolva também os pais, a escola e os professores é de extrema importância para o desenvolvimento global do indivíduo com DPAC. Infelizmente, em muitos casos a escola não dá a devida atenção às necessidades específicas do aluno com este distúrbio auditivo, preferindo taxa-lo de “preguiçoso” ou “incapaz”, conforme nos conta Soleci Gottardo, mãe do João, de oito anos, que passou por uma experiência preconceituosa na antiga escola em que estudava.
“As dificuldades do João começaram a aparecer no ano passado, quando ele deveria se alfabetizar. A escola me chamou e disse que ele não estava conseguindo evoluir e que eu deveria procurar ajuda. A médica pediu todos os exames, e entre eles, o exame de processamento auditivo, e no final veio o diagnostico do DPAC. Então, ele começou um acompanhamento com uma fonoaudióloga e continua também com a psicopedagoga. Mas tive que trocá-lo de escola na metade do ano, porque a escola insistia que o João não fazia as atividades porque não queria e que só escutava aquilo que era conveniente para ele. Eu levei todos os exames e atestados, mas a escola não entendeu ou não quis entender, e simplesmente o expulsou de lá. O pior foi que eles falaram para o João para ele procurar outra escola e que ele não precisava nem ir para a aula no dia seguinte. Fui lá conversar, mas o colégio não mudou de opinião, e no último dia, quando fui buscar a transferência, eles afirmaram que o João não tinha problema de aprendizagem, mas sim falta de limite e que ele não tinha se adaptado ao método do colégio. A diretora chegou a falar que não adiantava ficar com uma criança que produzia menos que as outras”, conta Soleci.
Tratamentos alternativos e orientações aos pais e mestres
Além do acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, alguns especialistas defendem também uma terapia Homeopática, pois acreditam que tais substâncias tornam o cérebro mais receptivo aos estímulos, acelerando o resultado do tratamento fonoaudiológico. Outra opção para auxiliar a criança com DPAC é o uso do Sistema FM na escola, pois este equipamento também pode ser utilizado em indivíduos sem perda auditiva periférica. O FM amplificará a voz do professor, fazendo com que a criança volte sua atenção mais facilmente para o que este explica em sala de aula. E se, além do DPAC, o diagnóstico também apontar perda auditiva condutiva ou neurossensorial, a criança deverá usar AASI (Aparelhos de Amplificação Sonora Individual) ou Implante Coclear, dependendo do grau de sua perda.
Veja a seguir algumas dicas para pais e professores para ajudar no desenvolvimento das crianças com DPAC (orientações retiradas e adaptadas do site Prontuarioidmed.com.br).
– Reconhecer que o indivíduo não tem controle de suas dificuldades.
– Compreender que a criança não tem dificuldades com os seus recursos intelectuais. Ajude-a a descobrir seus talentos.
– Falar com um ritmo contendo pausas nítidas, com articulação clara, com ênfase na entonação e dando pista orofacial.
- Não negar a repetição do que foi dito quando a criança não compreendeu anteriormente.
– Guardar uma posição preferencial do indivíduo com DPAC em sala de aula, isto é, de modo a permitir a completa visualização do rosto do professor.
– Se possível, entregar a aula impressa para o aluno antes de ministrar.
– O professor de educação física e o de música podem ajudar com treinamento auditivo durante as atividades.
– Reconhecer que pode ocorrer cansaço mental antes do esperado. O descanso mental significa uma atividade motora, como subir e descer escadas.
– Cuidar do ruído do ambiente físico para garantir a inteligibilidade da fala.
– Realizar solicitações em frases curtas, dando uma ideia por vez. Ex.: Abra o estojo. Procure o lápis preto. Pegue o lápis preto.
– Assegurar-se de que a criança compreendeu as solicitações, pedindo-a para repetir o que foi dito. Falar alto quando precisar chama-la."