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Crianças e adolescentes PRECISAM dormir mais!!!


Extraído do site "O cérebro nosso de cada dia", da neurocientista Suzana Herculano-Houzel

Todo mundo sabe que precisa dormir. Mas pra quê? Não é só para descansar o corpo: afinal, uma pausa esticado no sofá descansa o corpo, mas não há repouso que compense uma noite mal dormida. O cérebro precisa do sono.

Só que sono não é só repouso para o cérebro. Ou pelo menos, não para o cérebro todo. Na verdade, o cérebro em geral não só continua ativo enquanto dorme, como também fica a mil de vez em quando - quando a gente sonha. Talvez certas regiões do cérebro até consigam um descanso em algum momento da noite. Mas fica a pulga atrás da orelha: dormir deve servir para alguma outra coisa.

Idéias não faltam: alguns cientistas acreditam que o sono serve para reforçar circuitos que cuidam dos comportamentos mais básicos e inatos, como andar e caçar, para os animais. Outros supõem que ele deve servir para apagar memórias desnecessárias, "fazendo espaço" no cérebro para aprender coisas novas no dia seguinte. E outros, ao contrário, acham que o sono é necessário para reforçar o que foi aprendido. É essa última idéia que vem ganhando mais força nos últimos 10 anos, a partir da descoberta de que
é necessária uma noite de sono para "consolidar" o que foi aprendido durante o dia.

A descoberta inicial foi feita pelos israelenses Dov Sagi e Avi Karni em 1993, e agora definitivamente comprovada pelo grupo do americano J. Allan Hobson e seu colega Robert Stickgold, e pela equipe do alemão Jan Born.

Os testes usados pelos três grupos tratam de um tipo muito particular de aprendizado: o aprendizado perceptual, avaliado com uma tarefa na qual os voluntários devem dizer se um conjunto de três barrinhas que aparece muito rapidamente na tela do computador é vertical ou horizontal. Algum tempo depois das barrinhas aparecerem, surge na tela um mundo de barrinhas, servindo como uma máscara, que encobre as barrinhas originais.

Quando os voluntários começam a treinar, só é possível acertar a orientação das barrinhas quando a máscara demora para aparecer. Com a prática, dá para acertar com cada vez menos tempo de observação das barrinhas, o que serve como medida do aprendizado. Mas põe prática nisso: os voluntários passavam mais ou menos uma hora na tarefa, vendo as barrinhas mais de 1000 vezes...

E há que se ter paciência para ver o resultado de tanto treino: ele só aparece depois de... uma noite de sono! E melhora ainda mais depois de uma segunda noite bem dormida. Para ver se essa consolidação do aprendizado não era apenas uma questão de tempo, Stickgold e Hobson pediram para alguns dos voluntários não dormirem na noite depois do treino. Mas não era só isso, porque afinal
quem não dorme teria uma série de outros problemas para fazer a tarefa: falta de atenção, cansaço, menos motivação... Para contornar esses problemas, os pesquisadores deixaram os voluntários tirarem a barriga da miséria depois de não dormir na noite após o teste, dormindo tudo o quisessem na noite seguinte. O primeiro teste após aprender a tarefa só era realizado depois, quando eles estavam novinhos em folha mais uma vez.

Mas dormir na noite seguinte não adiantava mais nada se a primeira noite era passada em claro. Para melhorar o desempenho na tarefa, ou seja, aprender, é preciso dormir na mesma noite em que se aprende. Perdendo o sono nessa noite, não adianta dormir depois para compensar.

É claro que para aprender alguma coisa é preciso treinar: sem prática, não há o que melhorar. O que esses estudos mostram é que as mudanças no cérebro durante o aprendizado acontecem em fases: a primeira fase durante o treino, e a segunda durante o sono, quando as mudanças são "efetivadas", ou consolidadas, como se diz no jargão da pesquisa. E como é que o cérebro consolida o que aprendeu? O primeiro passo é saber quando exatamente a consolidação acontece. Para isso os pesquisadores alemães usaram o mesmo teste de discriminação da orientação das barrinhas, mas dividiram a noite de sono dos voluntários em duas metades: alguns dormiam só a primeira metade do sono, em que prevalece o sono profundo, e os outros dormiam só a segunda, quando prevalecem os sonhos. Os primeiros treinavam das 6 às 7 da noite, depois dormiam até 1:30 da manhã, e eram testados logo em seguida, de madrugada mesmo (pesquisador sofre...). Os outros começavam dormindo, eram acordados à 1:30 para fazer o primeiro treino de madrugada, dormiam em paz a segunda metade do sono, cheia de sonhos, e eram testados pela manhã. Desse modo, todos tinham as mesmas horas de sono entre aprender a tarefa e o teste. A única diferença era o tipo de sono, com ou sem sonhos, que acontecia após o treino.

E quem aprendia melhor? Os que dormiam a primeira metade da noite, com menos sonhos do que a segunda. Os outros, ao invés de aprender, ficavam até piores na tarefa! Isso sugere que o sono profundo, durante a primeira metade da noite, é essencial para a consolidação do aprendizado. Mas não quer dizer que o sono cheio de sonhos da segunda metade seja inútil. Muito pelo contrário: no estudo, quem dormia a noite toda entre o aprendizado e o teste tinha um resultado quase três vezes melhor do que quem só tinha a primeira metade do sono.

Dá pra pensar então num processo de aprendizado em três passos: o primeiro durante a prática, o segundo durante o sono do início da noite, e um terceiro durante o sono do final da madrugada, cheio de sonhos - mas que só ocorre se o segundo já tiver acontecido.

Antes de tornar as 8 horas de sono noturno mais uma obrigação do currículo escolar, é preciso lembrar de um detalhe: os testes com humanos até agora foram limitados ao aprendizado da detecção de pequenos objetos. Não é exatamente parecido com aprender a jogar bola, tocar piano ou aprender a lição na escola... Mas como o cérebro tende a usar os mesmos mecanismos para várias funções diferentes, provavelmente é verdade: depois de aprender uma tarefa nova, quem dorme aprende de fato - e quem passa aquela noite em claro esquece de tudo.

Por final, é preciso lembrar que dormir para aprender não quer dizer aprender dormindo, como queriam aqueles métodos alardeados nos anos 80 de ir pra cama com fones de ouvido para aprender outra língua enquanto se dorme. Que a gente aprende dormindo, aprende, sim. Mas aprende o que foi treinado durante o dia. Dormindo não entra mais nada no cérebro. Uma pena para quem pensou que com um fone de ouvido daria para aproveitar o terço da vida que passa esticado num colchão. Mas se dormir fizer mesmo valer todas as horas do dia que a gente passa aprendendo... tá bom, não tá?


Fontes:

Stickgold R, James L & Hobson JA (2000). Visual discrimination learning requires sleep after training. Nature Neuroscience 3, 1237-1238.

Gais S, Plihal W, Wagner U & Born J (2000). Early sleep triggers memory for early visual discrimination skills. Nature Neuroscience 3, 1335-1339.

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